A Harmonia entre a Ação e o Pensamento...


Hoje estava pensando sobre o “bem estar”. Tenho certeza que todos querem viver bem e sentir que estão bem consigo mesmo e com o outro, mas o que é este tão sonhado “bem estar”?


“Bem estar” é “estar de bem com a vida”, “estar de bem consigo mesmo”. Estar de bem com a vida ou consigo é, de alguma forma, estar satisfeito com o que se tem ou com o que se é, ou com o que se faz. Assim, entende-se que uma pessoa tem, é ou faz algo de que gosta e está satisfeita com isso, mas pensamos, uma pessoa teria, seria ou faria algo de que gosta sem ter pensado na vida sobre o que ter, ser ou fazer? E se teve que ter pensado sobre isso não teve que fazer escolhas entre as opções que o mundo em que vive lhe ofereceu?


A satisfação assim, nesta concepção, está ligada à capacidade e ao desempenho de uma pessoa agir. O sujeito que age é uma pessoa capaz de pensar para superar obstáculos, pois até mesmo encontrar as palavras certas no momento certo exige uma ação do próprio pensamento.


As pesquisas, no âmbito da psicologia, indicam o quanto a perseverança e o bom humor contribuem para os estados de satisfação e felicidade, mas não há como saber até que ponto uma pessoa dotada de otimismo, extroversão e bom humor, pode dimensionar uma qualidade de vida repleta de “bem estar” subjetivo. Pois, além de ser dotada de um conjunto complexo de características determinantes de sua personalidade, cada pessoa faz parte de um processo de permanentes transformações individuais pela inserção social. Cada pessoa constrói sua leitura tendo referência sua própria vivência.


Suas características genéticas também são determinantes, pois o modo como cada pessoa recebe suas impressões de registro depende concretamente de como ela é bioquimicamente constituída. De maneira tal que a realidade é impressa em cada um diferentemente. Assim, como uma mesma estampa tem sua figura diferenciada ao ser impressa sobre diferentes superfícies, uma mesma realidade significa apreensões e impressão de registros de modo muito peculiar, pois a impressão da realidade enquanto registro depende do corpo que a apreende.

Isto tudo é teoria. E a prática?


As pessoas querem ser felizes. Querem ter coisas como qualquer outra pessoa do nosso tempo. Querem melhoras de qualidade de vida. Dividir e recriar a realidade de modo a tecê-la com o outro. Somos todos sujeitos chamados pela vida para superar obstáculos, mas o que experimentamos na troca com o outro?


Ver o outro, demanda enxergar suas características de personalidade, caráter e temperamento. É claro que nos sentimos mais seguros diante da previsibilidade de pessoas de caráter confiável e temperamento sereno, mas a personalidade de cada um revela-nos como uma pessoa consegue lidar com os sentimentos a que estamos sujeitos: raiva, inveja, ciúmes, rejeição, desejo de poder, sujeição, ansiedade e carências.


É através da personalidade que percebemos como uma pessoa gere seus sentimentos, e lemos suas atitudes, através da compreensão do fenômeno de seu movimento no mundo.

Ver o outro para além de si demanda compreendê-lo sem ter como referência o próprio umbigo. Compreender seus defeitos e ver em sua ação aquilo que não temos em nós, não é nada fácil: “ninguém a outro ama senão o que ama o que há de si nele; ou é suposto...”, escreveu Fernando Pessoa. De certo modo, do nosso umbigo desejamos que o outro seja uma extensão de nós e, nesse sentido, uma ação é necessária: a ação solidária frente ao que há de mais real no humano: a real possibilidade de cada um enfrentar a própria pequenez, tendo como referência a organização do outro que lhe é estranho.


Devemos fazer nossas escolhas e perceber melhor nossas ações a fim de não usarmos o conhecimento que temos para escravizar pessoas com ideias que não as apoiem em sua própria possibilidade de construção de vida. Escravas ou dependentes, como as pessoas poderiam se sentir satisfeitas? Depender do outro é estar à sorte do que o humano tem de volúvel. Mesmo assim, a psicologia revela que o estado de felicidade ocorre quando uma pessoa divide momentos com a família e os amigos; isto é, não dá pra ser feliz sozinho.


Nessa perspectiva, cremos ser perfeitamente possível afetar pessoas pela compreensão de leituras que passam muito longe de serem feitas pelo nosso próprio umbigo.

Então o “bem estar”, acontece comigo interagindo com o outro através do meu eu. Assim, vou me reconstruindo, fazendo escolhas o tempo todo, para encontrar o que me faz bem: o meu “bem estar”.


Andrea Naves Müller

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