Os Opostos se Atraem...




Cerca de 95% dos casais são constituídos de opostos, um egoísta e um generoso, que, aparentemente, combinam muito bem, mas relação lastreada no antagonismo não pode ser considerada de boa qualidade. Essa dualidade, aceita e legitimada pela sociedade, acaba deteriorando o convívio íntimo e gera consequências em outras esferas, refletindo-se, por exemplo, no comportamento dos filhos e até em atitudes de âmbito social.


Alguns especialistas acreditam que a humanidade se divide nesses dois grupos em todos os aspectos: o egoísta, que recebe mais do que dá, e o generoso, que dá mais do que recebe. E vão além, quando citam que a generosidade não é virtude, mas uma falha tão grande quanto o egoísmo. O egoísta não tolera frustrações e contrariedades, é mais estourado e agressivo e procura sempre arrumar um jeito de levar vantagem, porque a vida dura não faz parte de seu psiquismo.


O generoso, por sua vez, não consegue dizer ‘não’ quando solicitado, porque não sabe lidar com a culpa, sentindo-se envaidecido e superior por conseguir dar mais do que recebe.

A generosidade na relação íntima pode ter consequências negativas, já que seu desdobramento é o egoísmo. Sempre que houver um generoso, haverá um egoísta. O egoísta tem inveja do generoso porque acha que ele tem mais para dar e o generoso inveja o egoísta porque ele diz ‘não’ numa boa e faz muito mais por si mesmo.


O generoso é muito mais competente para dar coisas ao outro do que para se presentear. O egoísta não tem limite, não é freado pela culpa e como ele evita situações de dor e frustrações, também nunca se coloca no lugar do outro nem imagina o sofrimento que possa causar. Cuida do interesse próprio e imediato. É capaz de coisas incríveis, que o generoso não é.


Fica uma espécie de inveja recíproca, que deriva da admiração pela capacidade do outro. Por um lado, há um clima de encantamento, que leva à aproximação; por outro, um clima de atrito e insatisfação. Monta-se então um jogo de poder: o generoso sentindo-se valorizado, prestigiado e envaidecido com a sua superioridade, o egoísta tentando dominar o outro no grito e na chantagem emocional.


O mais grave nessa “trama diabólica”, é que um reforça o jeito de ser do outro. “Não posso mudar senão deixarei de ser admirado e amado”. O generoso cede cada vez mais, achando que assim vai satisfazer o outro, e o egoísta cada vez exige mais, nunca se dando por satisfeito. Os dois ficam cada vez mais antagônicos, estagnados, frustrados. Essas diferenças vão se radicalizando com o passar dos anos, gerando o afastamento ou a ruptura do casal.


As consequências vão ainda além, caso o casal tenha filhos, pois estes se veem diante de dois modelos – um exigente, estourado, reivindicador, outro bonzinho, tolerante, panos quentes. São dois modelos validados um pelo outro. A criança vai copiar um dos dois, o segundo filho, devido à rivalidade entre irmãos, provavelmente seguirá a direção oposta. Dessa forma, os dois padrões vêm se reproduzindo de uma geração para outra e se estendem da vida doméstica para a vida pública. O mais agressivo e guerreiro acaba sempre por deter o poder, enquanto o generoso funciona como uma espécie de poder paralelo. Ele cria a boa ideia, o egoísta se apropria dela e a executa. Tanto um quanto o outro são modelos de injustos.


Um relacionamento que vai se permeando sobre a dinâmica do egoísta/generoso, sofre pela imaturidade, pois ambos são imaturos. O egoísta não se desenvolve emocionalmente, porque lida mal com frustração, contrariedade e dor; o generoso, porque atola na culpa e não diz ‘não’ quando deveria.


Uma troca equilibrada, não inveja o oposto, fica contente com o próprio jeito de ser e passa a valorizar as pessoas parecidas, estabelecendo relações afetivas de qualidade. O generoso aprende a dizer ‘não’ aos pedidos indevidos e deixa de ser objeto de chantagem, conquistando autoestima e liberdade pessoal. O egoísta, por sua vez, sem o generoso por perto, também poderá progredir e amadurecer.


Com o equilíbrio entre o dar e o receber, todos serão beneficiados. O caminho é longo e começa pelo conhecimento do conceito. É preciso tomar consciência e, a partir daí, trabalhar a autossuficiência emocional, ser mais competente para se virar sozinho, ter um certo controle sobre a vaidade. Superar a intolerância e a incapacidade de lidar com culpa leva à maturidade emocional, a respeitar mais as diferenças e os direitos do outro, sem nenhuma ideia heroica de sacrifício pessoal em favor de nada nem de ninguém.


Um relacionamento equilibrado é possível em qualquer idade, a qualquer tempo e o primeiro passo é o autoconhecimento para estar bem com a autoestima.


Andrea Naves Müller

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